Diagnóstico de Disfunção Erétil

Disfunção erétil: diagnóstico

O paciente que se queixe de disfunção erétil deve ser submetido a uma anamnese comum, da mesma forma como um sujeito que se queixe de dores no peito após realizar exercícios. A disfunção erétil pode ser o primeiro sintoma de uma doença arterial que implicará em uma obstrução coronariana. Assim, o médico pode estar perante a um futuro angiopata, que poderá vir a necessitar de uma revascularização do miocárdio.

Investigação de dados ligados à profissão, hábitos, histórico de doenças e histórico sexual do paciente

Por essas razões, a anamnese deve ser muito bem conduzida. Até mesmo dados ligados à profissão do paciente ou vinculados a outras doenças devem ser investigados. O histórico sexual também é importante. Às vezes, o médico pode estar diante de um indivíduo que não foi bem educado e orientado do ponto de vista sexual, e esteja enfrentando dificuldades por conta disso.

O diabetes e a disfunção erétil

Durante a avaliação das causas da disfunção erétil, pode ser que haja a desconfiança de que o paciente seja diabético em virtude de possuir histórico familiar para a doença, por exemplo. Dentre todas as endocrinopatias, o diabetes é a mais importante no que tange à disfunção erétil, uma vez que a doença é um fator de risco elevadíssimo. Paciente diabéticos possuem até 410% mais chances de desenvolver uma disfunção erétil do que aqueles que não portam a doença.

Caso haja possibilidade de que o paciente seja diabético, o exame da glicemia de jejum é importante, e visa encontrar qual é a curva glicêmica do indivíduo. Porém, o exame realmente fundamental é o referente à dosagem da hemoglobina glicosilada. A dosagem dessa hemoglobina dará uma ideia quanto à glicolisação da bainha de mielina. A deposição de glicose na bainha de mielina impede a transmissão do impulso elétrico nervoso, que ocorre na parte exterior da bainha de forma regulada entre os nódulos de Ranvier. Portanto, a bainha precisa estar íntegra entre os dois nódulos. Se houver a deposição de glicose nesse local, o impulso elétrico será barrado e o indivíduo não receberá o estímulo necessário à ereção.

Assim, quando a bainha de mielina está totalmente livre de glicose, o estímulo elétrico executa o trajeto tranquilamente. Caso o paciente apresente alguma deposição de glicose sobre a bainha, ele já possui certa dificuldade erétil, ou seja, a qualidade da ereção já pode estar sendo prejudicada.

A partir do momento em que a bainha de mielina estiver totalmente glicosilada, o indivíduo passa a ter uma neuropatia periférica diabética definitiva, pois o problema é irreversível, uma vez que é impossível remover a glicose de todos os nervos. Logo, o paciente perde completamente a capacidade neurológica de ereção. Esse é o drama ocasionado pelo diabetes sobre o nervo erigente, resultando na dificuldade erétil manifestada pelo paciente.

tabagismo-e-impotencia-sexualO tabagismo e a disfunção erétil

Se o paciente fuma, ele deve ser orientado a interromper o hábito imediatamente. Toda e qualquer atitude tomada pelo médico depende da integridade vascular, que é prejudicada pelo tabagismo. Portanto, se o paciente deseja obter uma boa ereção, ele deve ser estimulado a parar de fumar.

Exame físico

O exame físico precisa ser completo. Logo, o corpo do paciente também deve ser minuciosamente examinado. Afinal, existem muitas complicações que podem estar relacionadas a todos os fatores de risco associados à disfunção erétil. A pressão do paciente deve ser medida, ao passo que sua pulsação deve ser avaliada.

Avaliação psicológica

Cabe salientar que a avaliação psicológica do paciente não precisa ser, necessariamente, efetuada por um psicólogo ou psiquiatra. Ela pode ser realizada pelo próprio médico que está tratando o indivíduo, pois o profissional deve ser capaz de perceber se o paciente está extremamente ansioso, nervoso, e estressado devido à sua atual condição social, e passando por problemas específicos, como, por exemplo, a perda de emprego. Aliás, esta pode ser a causa psicogênica de sua disfunção erétil.

Avaliações laboratoriais

Além disso, algumas avaliações laboratoriais são importantes. Existem alguns exames que são reservados para os especialistas, como a verificação da tumescência peniana noturna. Sabe-se que as ereções noturnas são importantes para a preservação da capacidade erétil do pênis. Portanto, é fundamental constatar se elas existem. A verificação da resposta do pênis à injeção intracavernosa de droga vasoativa, visa cofirmar se essa arquitetura vascular está respondendo bem ao estímulo. Também pode ser necessária a realização de um exame com doppler colorido para verificar a integridade das artérias do pênis. A arteriografia é voltada aos pacientes jovens, por exemplo, que não estejam apresentando ereção após sofrer um acidente em que houve fratura da bacia, ou algum outro evento dessa natureza que possa ter lesado as duas artérias cavernosas existentes.

 

Se houver desconfiança quanto à presença de outras doenças endocronológicas, o médico deverá verificar a integridade do eixo hipotálamo hipófise testicular. Portanto, o médico deve solicitar a dosagem de testosterona e de SHBG (globulina fixadora de hormônios sexuais). A SHBG pode estar fixando mais testosterona do que deveria, deixando uma quantidade limitada do hormônio disponível, o que poderá trazer repercussões negativas para o indivíduo. Além disso, deve-se dosar o LH (hormônio luteinizante), que é produzido pela hipófise através da estimulação dos centros superiores e está diretamente relacionado com a produção de testosterona, pois é o LH que estimula as células de Leydig a produzirem a testosterona.

O FSH (hormônio folículo-estimulante) também deve ser mensurado para verificar a integridade do eixo hipotálamo hipófise testicular, embora ele esteja envolvido diretamente na produção de espermatozoides. Por fim, deve-se dosar a prolactina, já que ela realiza feedback negativo no hipotálamo e na hipófise, culminando na queda da secreção de testosterona.

Se o paciente apresentar uma doença sistêmica, como a uremia, os índices de ureia e creatinina devem ser calculados, e a doença deve ser tratada adequadamente. Nos casos de hepatopatia, deve-se fazer o diagnóstico com base nas dosagens das enzimas hepáticas e da fosfatase alcalina. As dislipidemias também são causas importantes da disfunção erétil. Portanto, faz-se necessário a solicitação de um lipidograma a todos os pacientes com idade superior aos 40 anos e que se queixem de disfunção erétil. Ao controlar a dislipidemia, o paciente tende a ter uma melhora de sua função erétil.

Para qualquer outra afecção suspeita, o exame correlato deve ser solicitado. Dessa forma, percebe-se que o paciente com queixa de disfunção erétil é igual a outro qualquer e deve ser bem investigado.

Existe um teste chamado TEFI (teste de ereção fármaco induzida), por meio do qual é introduzida uma droga vasoativa no corpo cavernoso, provocando a ereção arterial, ou seja, mediada pelo fluxo arterial. As substâncias injetadas são o cloridrato de papaverina, prostaglandina, ou uma associação do primeiro com a fentolamina. Todas essas drogas provocam um relaxamento da musculatura lisa do corpo cavernoso. Consequentemente, permitem um aumento do fluxo de sangue para o interior do pênis, resultando na ereção.

Caso a resposta do corpo do paciente seja positiva aos medicamentos citados, tem-se a certeza de que aquele pênis possui integridade vascular. Caso contrário, pode ser um caso falso-negativo. No entanto, mesmo que não haja um problema cardiovascular, certamente o paciente não é responsivo. Os pacientes que não respondem à injeção de uma droga vasoativa intracavernosa podem estar sob efeito de um tônus adrenérgico elevado, que pode ser provocado pelo medo da penetração da agulha de injeção sobre o pênis, por exemplo. Estes pacientes podem estar estressados e com excesso de adrenalina, fatores que podem impedir a ereção.

Por esse motivo, é muito importante fazer um doppler dos vasos cavernosos após a injeção de uma droga vasoativa. Através dele será possível verificar que a medicação provocou a dilatação das artérias, embora o paciente não tenha conseguido obter uma ereção. Dessa maneira, é confirmado que aquele paciente possui integridade vascular, mesmo que ele não tenha respondido positivamente à droga. Logo, o doppler colorido dos vasos cavernosos é um exame extremamente útil para determinar se a causa daquela ereção é vascular ou não.

 

Diagnóstico passo a passo

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1) A busca por auxílio médico

O diagnóstico da disfunção erétil é feito a partir de alguns passos. Primeiramente, o indivíduo deve se consultar com um médico, preferencialmente com um especialista, ou em uma clínica especializada onde atuam vários especialistas.

2) O diagnóstico em si

Após a consulta inicial, o médico identificará qual é a direção do problema daquele determinado paciente. Com base nisto, o profissional solicitará a realização de alguns exames, compostos por uma avaliação urológica, análise psicológica (quando necessário), e a fluxometria arterial peniana, que consiste na medição do fluxo das artérias no pênis para que se descubra se o sangue está conseguindo chegar ao interior do pênis.

Cerca de 50% dos homens que se sentam à frente de um especialista para verificar um problema vinculado è ereção, por exemplo, não sabem que são diabéticos. A descoberta ocorre somente quando eles se submetem ao exame de sangue ligado à avaliação da impotência sexual.

Além dos exames laboratoriais, também pode ser efetuado o teste de ereção farmacologicamente induzido. Alguns médicos usam drogas vasoativas, enquanto outros utilizam remédios por via oral, como aqueles comercializados por farmácias. O ideal é que esse teste seja realizado no pênis através da injeção de drogas, que submetem o paciente a alguns estímulos. O objetivo é verificar qual é a resposta do pênis a esses medicamentos.

Há também um teste de sensibilidade para verificar a integridade da comunicação estabelecida entre o cérebro e o pênis e vice-versa. Outro exame consiste no uso de uma máquina que induz uma ereção para que o médico tenha a real noção do que está se passando com o indivíduo. Por último, existem os exames de radiografia, que podem ser voltados às artérias do pênis ou aos tecidos penianos. Este exame é chamado de cavernosografia, o qual exibe qual é a situação interna do pênis. A partir de todos esses exames o médico pode chegar a um diagnóstico.

3) O tratamento

O tratamento pode ser efetuado através do uso de remédios. Porém, nem sempre se tratam daqueles famosos medicamentos adquiridos em farmácias, já que, em sua maior, eles não tratam a origem do problema e, portanto, não o curam, atuando apenas como meras soluções paliativas. Os remédios tipicamente comercializados pelas farmácias apenas permitem que o homem consiga resolver temporariamente uma impotência de grau leve ou moderado.

Entretanto, as pessoas devem compreender que existem tratamentos medicamentosos que realmente curam o problema relacionado à impotência sexual. Portanto, há tratamentos medicamentosos curativos e que dispensam a necessidade de cirurgias. Evidentemente, isso depende da gravidade de cada indivíduo.

As próteses penianas e as cirurgias vasculares são tratamentos que também podem proporcionar bons resultados. No caso das próteses, por exemplo, o grau de satisfação dos homens que as recebem chega a 97%. Se o indivíduo possui 70 anos, por exemplo, e insere uma prótese peniana, a sua capacidade sexual pode volta a ser equivalente àquela detida quando tinha 25 anos.

Leia o artigo a seguir para saber mais sobre as formas de tratamento da disfunção erétil.

4) A prevenção

Por outro lado, cabe ressaltar a importância da prevenção. O mais importante para os homens que sofram do problema, ou que possam ser acometidos por ele no futuro, é ter uma alimentação rigorosamente adequada em termos de frutas, verduras, legumes, carnes magras e cereais integrais. Também é recomendado evitar o uso de drogas, praticar exercícios físicos regularmente (ao menos uma hora por dia), e obter toda a informação possível a respeito dos problemas sexuais, como a educação sexual.

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