Ereção: Como Ocorre

Como ocorre a ereção?

O pênis é irrigado apenas por duas artérias cavernosas, que são os últimos ramos da artéria pudenda interna, que, por sua vez, é o último ramo da artéria ilíaca interna. Essas duas artérias atravessam a parte inferior da sínfise púbica, passando a irrigar os corpos cavernosos e o corpo esponjoso que reveste a uretra. Se uma dessas artérias tiver seu trajeto interrompido, a outra deve manter o suprimento. Caso as duas vias sejam suspensas, o homem perderá a capacidade de ter ereção.

O pênis possui uma drenagem venosa bastante abundante quanto às anastomoses, sendo que todas elas se intercomunicam. Existem três plexos venosos: dois que acompanham as duas artérias pudendas (cavernosas), e o plexo dorsal superficial e profundo do pênis, o que dará origem ao plexo periprostatico após atravessar a sínfise pubiana.

O pênis é composto por dois corpos cavernosos e um esponjoso. Os primeiros correspondem aos órgãos eréteis do pênis, enquanto o último consiste no órgão que reveste a uretra, fornecendo sustentação arquitetônica a ela e permitindo o desempenho da função de ser uma via de passagem da urina e do esperma. Assim, essa é a forma de como o pênis, do ponto de vista anatômico, terá uma ereção. O pênis é enervado por dois plexos neurológicos (nervosos): sensitivo e motor.

Os nervos motores são os mesmos que irão enervar a bexiga e a próstata. Esses nervos passam posterolateralmente à bexiga e à próstata, atravessam o canal abaixo da sínfise pubiana e o períneo, passando a enervar os corpos cavernosos, chamados de nervos erigentes, que conduzem a resposta sexual masculina a partir do estímulo eretogênico proveniente do sistema nervoso central. Os nervos sensitivos são dorsais e acompanham os plexos venosos dorsais do pênis.

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O mecanismo físico farmacológico da ereção é exercido pelo óxido nítrico. O nervo erigente não-adrenérgico e não-colinérgico libera óxido nítrico no interior da célula muscular lisa do corpo cavernoso. O mesmo óxido nítrico estimulará as células endoteliais, que revestem os canais sinusoides do corpo cavernoso, a promover o aumento da produção de óxido nítrico. Toda essa concentração do referido óxido incentivará a ação de uma enzima chamada guanilato ciclase, a qual transformará a guanosina trifosfato em guanosina monofosfato cíclica (GMPc). Esta substância é a responsável por ativar outra via enzimática que vai indisponibilizar o cálcio dentro da célula lisa do corpo cavernoso. Com um volume inferior do respectivo mineral, essa célula irá relaxar, permitindo a ampliação do sinusoide do corpo cavernoso, aumentando o fluxo sanguíneo presente no interior desses corpos cavernosos.

A guanosina monofosfato cíclica é degradada por outra enzima denominada fosfodiesterase tipo 5. À medida em que a liberação de óxido nítrico para dentro do corpo cavernoso é interrompida, como ocorre durante a suspensão da atividade sexual, a GMPc vai sendo degradada até que sua quantidade diminua a ponto de não provocar mais o relaxamento do sinusoide do pênis. Assim, o pênis voltará a ficar flácido sob efeito do tônus adrenérgico. Desse modo, as veias drenam todo o sangue que fluiu para o interior do pênis, o que o deixará detumescido (flácido). Esse é o funcionamento físiofarmacológico da ereção.

 

Do ponto de vista hemodinâmico, existe a fase do fluxo da artéria pudenda e a da pressão intracorpórea. Na primeira fase, o pênis ainda está em um período de detumescência, ou seja, ele ainda não está ereto. Nesse momento, o pênis possui um fluxo e pressão basais de sangue em seu interior suficiente para mantê-lo nutrido, mas insuficiente para deixá-lo ereto.

Já na fase 2 o homem sofre um estímulo erótico que provocará a liberação de óxido nítrico do corpo cavernoso do pênis. O referido composto provoca o relaxamento dos sinusoides, que anteriormente estavam contraídos, mas passam a ficar dilatados, permitindo que o sangue flua em seu interior. A pressão exercida no interior do corpo cavernoso ainda não se eleva, uma vez que ainda existe um imenso território a ser preenchido pelo sangue. Entretanto, o fluxo sanguíneo aumenta vertiginosamente por conta da dilatação dos espaços sinusoidais do corpo cavernoso.

Ainda que de forma tímida, ao término da fase 2, a pressão começa a aumentar, enquanto o fluxo atinge um platô, uma vez que aproxima-se do limite de distensibilidade da túnica albugínea que reveste o corpo cavernoso. Nesse limite, a pressão aumenta significativamente, demarcando o início da fase 3, enquanto que o fluxo sanguíneo cai muito acentuadamente. Porém, esse fluxo ainda existirá durante toda a fase 3. Assim, pode-se dizer que o pênis está em um processo de intumescimento.

No início da fase 2 entra em ação o nervo cavernoso, que estimula a liberação de óxido nítrico. Esse estímulo permanece durante toda a fase 2 e 3. Vale ressaltar que o óxido nítrico é um gás com meia-vida extremamente curta, em torno de 2 segundos. Assim que a produção do composto é interrompida, o efeito do gás sobre o corpo cavernoso desaparece pouquíssimo tempo depois. Logo, essa liberação precisa ser contínua para que a ereção seja atingida e se mantenha.

No final da fase 3 e início da 4, o pênis já está intumescido (ereto) o suficiente para adquirir resistência axial. Isso significa que ele não se dobrará se for pressionado contra uma superfície ou algo que imponha resistência. É nesse momento que pode se iniciar o processo de penetração vaginal por parte do pênis. O indivíduo começa, então, o coito, marcado pela penetração da vagina e pelos movimentos contínuos de vai-e-vem voltados para o interior do órgão sexual feminino, o que satura a sensibilidade do pênis e da vagina.

Próximo do momento do orgasmo, que ocorre ao término da fase 4 (na qual se inicia o intercurso do coito), o nervo cabernovo continua liberando óxido nítrico para o interior do pênis. Na iminência do orgasmo, entra em ação o nervo pudendo, que provoca uma contração voluntária da musculatura do períneo. Essa contração faz com que a região dos corpos cavernosos seja comprimida e todo o sangue presente é conduzido à haste peniana, aumentando sua circunferência e ampliando a superfície de contato com a vagina, o que, por conseguinte, eleva a sensação erótica tanto do homem quanto da mulher. Neste momento, os dois podem ter um orgasmo simultaneamente, o que seria o acontecimento perfeito.

Após a manifestação do orgasmo o homem relaxa devido à ação exercida pelo nervo pudendo. Vale dizer que a atuação do nervo cavernoso permanece ainda ativa durante toda essa fase. A fase 5 é aquela na qual o homem possui uma ereção muito rígida e intensa. Já na fase 4 ele volta a ter apenas uma intumescência inferior. Enquanto isso, na fase 6 o nervo cavernoso deixa de exercer seu estímulo nervoso propriamente dito, uma vez que ele suspenderá a liberação de óxido nítrico sobre o corpo cavernoso. Consequentemente, o corpo entra em um processo de detumescência.

A fase 6 é um período refratário no qual o pênis precisa se restabelecer, já que durante alguns minutos ele permaneceu em uma situação próxima de uma isquemia, uma vez que o sangue se manteve represado. Isso ocorre porque a distensão da túnica albugínea comprime todas as vias emissárias que levariam o sangue para a parte externa, impedindo o retorno venoso. Logo, existe um acúmulo de radicais que precisam ser depurados. Aqui reside a dificuldade em se ter uma nova ereção logo em seguida à um orgasmo, pois o pênis precisa se recuperar e restabelecer seu pH, estando pronto para uma nova ereção após algum tempo.

Leia o artigo a seguir para conferir os principais fatores atuantes no desencadeamento do desejo sexual.

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